E esse foi o momento que eu percebi: quando o mundo parecia escuro e assustador, o amor podia nos resgatar e levar para dançar; risadas podiam levar embora parte da dor; a beleza podia esburacar o medo. Decidi, então, que minha vida seria cheia dos três.
Acho que eu devia aprender essa lição: livros de romance hypados não funcionam comigo. Mas, esse aqui me tirou de uma ressaca literária que já me acompanhava a uns bons meses, então ele merece um crédito e tanto.
Quando estamos falando de personagens emocionalmente quebrados é preciso tomar muito cuidado, existe uma linha finíssima entre o que pode dar certo e o que não pode nessa linha de raciocínio. E, pelo menos para mim, Leitura de Verão não deu.
No começo, achei a January, nossa protagonista aqui, uma personagem com potência, apesar de achar que ela estava atrasando o processo dela com as atitudes infantis. Não tinha necessidade da história se prolongar tanto, de apresentar tantos personagens secundários se não ia trabalhá-los. Senti que, muitos personagens secundários aqui nem sequer podem ser chamados secundários, eles são mais figurantes. E isso é chatinho, né? Eu espero, de uma leitura assim, ser pelo menos cativada por um dos personagens secundários, desejar saber mais dele. Mas, a personagem principal aqui, tão cega (e não tem palavra melhor que isso para definir) em seu processo de luto pelo pai, se perde em si. Ao meu ver, January se perdeu MUITO mais por ego do que por dor. Ao longo da história, ela pontua várias vezes como sempre teve os melhores pais do mundo e, ela se afoga tanto na raiva pelas atitudes do pai, que simplesmente deixa de lado a mãe. Que também está sofrendo! Que TAMBÉM tem que lidar com as consequências das atitudes do marido. January prefere acreditar que a história do pai é só sobre ela e é só ela quem sofre. Tudo bem que o livro é sobre ela, mas bem que ela poderia ser de outra forma, né? Acredito que isso não me fez construir aquele vínculo gostoso que temos quando gostamos de um protagonista.
Haviam histórias que mereciam ser contadas, histórias que eu nunca tinha considerado, e senti um entusiasmo renovado ao pensar que talvez contar uma delas e gostar de fazer isso.
Além da January, temos o Augustus, ou Gus, que é mais uma prova de que a January realmente está focada somente nela desde sempre (não por um aspecto positivo, vejamos bem). O romance deles é naquela premissa de ele-sempre-foi-apaixonado-ela-nunca-percebeu e aqui tive outro aspecto da January: tão focada em achar que o Gus está debochando dela e de tudo que ela faz na vida (porque só ela importa, rs) que não percebe que o cara sempre fez de tudo só para estar ao lado dela.
Apesar dos meus problemas com ela, estava até gostando do livro. Gostei da amizade deles, até a parte em que a autora começa a criar aquele clímax de romance no ar, fazendo quem está lendo criar muita expectativa para a cena que eles realmente fossem, pelo menos, se beijar. E, quando acontece, o Gus tem uma atitude que, para mim, foi o que acabou com tudo. Acabou com a experiência até gostosinha que a leitura estava me proporcionando.
Eu sei que se sentir pequeno incomoda algumas pessoas, ele me disse certa vez, mas eu meio que gosto disso. A pressão é menor quando você é apenas uma vida entre seis bilhões.
De positivo, achei a amizade deles legal. Os bilhetinhos vibes Taylor Swift. A competição saudável de escrita, os encontros-não-encontros criaram um clima agradável e, por isso, gera uma expectativa bem grande quanto ao romance. Por mim, a história finalizaria assim...
O jeito como sua escrita sempre faz o mundo parecer mais luminoso e as pessoas nele um pouco mais corajosas.
Além disso, algumas das citações da January ou do Gus (que vocês viram ao longo do post), foram importantes e me marcaram de alguma forma. Especialmente a que fala sobre escrever! Melhorou a relação e a perspectiva dela com a escrita (já que ela é escritora e estava com bloqueio) e me fez sentir vontade de falar das coisas sobre meu ponto de vista também. Pode ser que, um dia, eu escreva sobre um livro que alguém que ler o post, nunca ouviu falar e tenha interesse. Assim, eu sentiria que minha missão foi cumprida. Eu apresentei uma história a alguém. Para January, seria diferente: ela escreveu a história de alguém. Essa reflexão teve um impacto positivo sobre mim e foi algo incrível.
Por conta das coisas que não encaixaram, minha avaliação acabou sendo essa abaixo. Por isso, vou seguir em outra linha de leitura (traduzindo: FUGIR do romance, hahah). E conhecer novas histórias dessas outras linhas. Tive muita curiosidade sobre outros livros da Emily Henry, mas compreendo que talvez não seja o momento de me aventurar nas obras da autora.
Eis a pergunta que deixo para vocês: alguém pode me explicar o hype por trás desse livro? HAHAH JURO que ainda não entendi. Mas amei a premissa livros-que-falam-de-livros. Como vocês lidam com livros que estão no hype? Costumam amar?
Reservo o direito de dizer que minhas resenhas são minha opinião sobre a minha leitura. Nem sempre são as melhores opiniões (infelizmente).
1 Comentários
Oi
ResponderExcluirque bom que ele tirou você de uma ressaca e pena que não gostou, eu curti esse livro, mas o meu preferido é Loucos por livros. Eu gosto de romance por isso sou um pouco suspeita quando se fala do gênero.
https://momentocrivelli.blogspot.com/